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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Os McDonnell-Douglas MD-11 da KLM: os últimos MD-11 no serviço internacional de passageiros

Entre o final dos anos 80 e o início dos anos 90, a aviação passou pela revolução do "Glass Cockpit": as aeronaves que então entravam em serviço estavam equipadas com painéis de instrumentos  basicamente constituídos por telas de computador, ainda em CRT (Cathodic Ray Tubes), que substituíram os famosos "reloginhos", instrumentos analógicos que predominaram nos painéis até então.
O MD-11P PH-KCB decola de Amsterdam
O primeiro avião "Glass Cockpit" a entrar em serviço com esse painel foi o Airbus A320, em 1988, seguido de perto pelo Boeing 747-400. A McDonnell-Douglas não perdeu a sua vez, e desenvolveu o seu wide-body DC-10, alongando a fuselagem, instalando motores mais potentes, winglets nas asas e uma sofisticada suíte de aviônicos, equivalente ao equipamento instalado nos seu rival direto, o Boeing 747-400. Assim como no 747-400, os novos aviões, designados MD-11, podiam ser operados com uma tripulação de voo de apenas dois pilotos, eliminando a função do engenheiro de voo.
O PH-KCD. Durante 20 anos, os MD-11 da KLM operaram por todo o mundo
O fabricante pretendia reafirmar seu espaço no estrito mercado de aeronaves de fuselagem larga, oferecendo uma aeronave intermediária entre os bimotores Boeing 767 e Airbus A300/310, e os enormes Boeing 747. Vários operadores manifestaram interesse e fizeram opções de compra da nova aeronave. A holandesa KLM foi uma das empresas que fizeram opções, e acabou comprando um total de 10 MD-11P, versão exclusiva para passageiros.
Os MD-11 da KLM seriam equipados com 24 poltronas de Classe Executiva, 38 assentos Economy Confort, e 223 poltronas de Classe Econômica normal, numa disposição básica de 9 fileiras de poltronas em esquema 3-3-3. O espaço oferecido (e o conforto) em cada classe era equivalente ao oferecido em outras aeronaves de fuselagem larga da KLM na época, como os Boeing 747-400. As poltronas da classe executiva reclinavam até 170 graus, oferecendo praticamente uma cama para os felizes passageiros que podiam usufruir desse caro luxo.
Economy Class dos MD-11 da KLM
A KLM recebeu seu primeiro MD-11 somente em 7 de dezembro de 1993, que foi matriculado PH-KCA. Os MD-11 iriam, no decorrer dos anos seguinte, substituir a veterana frota de McDonnell-Douglas DC-10 da KLM, alguns dos quais já tinham completados 20 anos de serviço.
Seat Map do MD-11P da KLM
Todos os 10 aviões foram batizados com nome de celebridades femininas.

O PH-KCA foi seguido por mais nove aeronaves, todas configuradas para levar passageiros. O PH-KCB chegou em primeiro de março de 1994, e até o final de 1994 a KLM já estava operando seis MD-11 (PH-KCA, PH-KCB, PH-KCC, PH-KCD, PH-KDE e PH-KCF). Em agosto de 1995, o último DC-10 da KLM foi retirado de serviço e vendido.
Detalhes do nariz e do cockpit do PH-KCE
Em 1995, chegaram mais três aeronaves (PH-KCG, PH-KCH e PH-KCI). A última das 10 aeronaves da frota de MD-11 da KLM chegou somente em 25 de abril de 1997. A encomenda inicial da KLM não foi seguida por nenhuma outra, e a empresa sempre operou os aviões em configuração de passageiros, levando eventuais cargas somente no porão. 
MD-11 na curta final, em St. Maarten
Curiosamente, a matrícula PH-KCJ não foi usada. A KLM, tradicionalmente, e sem que se saiba exatamente porque, não costuma usar matrículas terminadas com a letra J.
A KLM arrendou um dos seus MD-11 para a VASP, em 1995, que operou com a matrícula PP-SPM
Com exceção do PH-KCI, todas as aeronaves MD-11 da KLM operaram exclusivamente na empresa. O
PH-KCI foi repassado à VASP apenas 35 dias após ser entregue à KLM, e operou na empresa brasileira como PP-SPM. Em 21 de agosto de 1998, o avião foi devolvido pela VASP à ILFC, proprietária da aeronave, e voltou a operar na frota da KLM com a matrícula original.
A carreira dos MD-11 na KLM foi bastante feliz, pois nunca houve nenhum acidente com essas aeronaves na frota da empresa, e apenas dois incidentes de menor importância foram relatados: um painel de para-brisas rachado, em 2013, perto de Montreal, Canadá, envolvendo o PH-KCK, e um alarme falso de incêndio do motor perto de Amsterdam, na Holanda, em 2012, envolvendo o PH-KCE. Sem dúvida, os MD-11 fizeram uma carreira impecável na empresa durante os mais de 20 anos de operação.
Os MD-11 da KLM era frequentes visitantes de St. Maarten, no Caribe
Durante duas décadas, os MD-11 da KLM podiam ser vistos diariamente em aeroportos ao redor de todo o mundo: Montreal, Atlanta, Teerã, Guarulhos, Narita, St. Maarten...

Enfim, os MD-11 começaram a ser retirados de serviço em julho de 2012, com a aposentadoria do PH-KCH. O PH-KCI saiu de cena em outubro do mesmo ano, assim como o PH-KCF. No mês seguinte, o PH-KCG foi retirado. Quase um ano se passou antes que dois outros MD-11, o PH-KCK e o PH-KCC fossem aposentados. Os quatro remanescentes foram aposentados em 2014, o PH-KCA em agosto e os três últimos, PH-KCB, PH-KCD e PH-KCE, em outubro. O destino de todas as células foi o sinistro e deprimente aeroporto de Victorville, no deserto de Mojave, Califórnia, conhecido por ser o destino final para muitos aviões comerciais.
A linha da morte dos MD-11P da KLM, em Victorville
Como a Boeing está deixando de oferecer peças de reposição para os MD-11 no mercado, provavelmente deixou de ser interessante converter esses aviões de passageiros em cargueiros, e a melhor opção foi desmontar e canibalizar todos para fornecer peças para os muitos cargueiros do tipo, que ainda operam pelo mundo afora. Somente as empresas americanas UPS e a FEDEX operam, cada uma, 38 aeronaves MD-11F, e estão ávidas por peças de reposição para prolongar a vida útil dos seus aviões.
O PH-KCE, ao chegar do Canadá, no último voo regular de passageiros realizado por um MD-11
O último voo comercial de um MD-11 da KLM, que também seria o último voo regular de passageiros desse tipo de aeronave, foi feito pelo PH-KCE, na rota Amsterdam - Toronto - Montreal - Amsterdam. Ao pousar no Aeroporto de Schiphol, no dia 26 de outubro de 2014, e desembarcar seus passageiros, sem dúvida alguma, uma era estava se encerrando. O mesmo avião faria três voos locais no dia 11 de novembro, levando alguns fãs da aeronave, e depois se foi, para nunca mais voltar. Infelizmente, nenhuma célula foi preservada, todos os aviões foram desmontados no árido deserto de Mojave, e os MD-11 da KLM somente serão lembrados através de fotos e das memórias das pessoas que tiveram o privilégio de voar neles, ou de simplesmente vê-los nos aeroportos ao redor do mundo.
Os MD-11 da KLM foram todos desmontados, nenhum deles sobreviveu
A McDonnell-Douglas, sucessora da Douglas, uma das mais tradicionais fabricantes de aeronaves comerciais do mundo, não sobreviveu ao MD-11, foi absorvida pela Boeing em 1997, que fabricou os últimos MD-11, sendo a última aeronave entregue ao operador em janeiro de 2001.

LISTA DOS MCDONNELL-DOUGLAS MD-11P DA KLM:

PH-KCA: c/n 48555/557, batizado como Amy Johnson, entregue à KLM em 7 de dezembro de 1993, retirado de serviço em agosto de 2014. Desmontado em Victorville, Califórnia e registro cancelado;

PH-KCB: c/n 48556/561, batizado como Maria Montessori, entregue à KLM em 3 de março de 1994, retirado de serviço em outubro de 2014. Desmontado em Victorville, Califórnia e registro cancelado;
PH-KCC: c/n 48557/569, batizado como Marie Curie, entregue à KLM em 24 de junho de 1994, retirado de serviço em outubro de 2013. Desmontado em Victorville, Califórnia, em maio de 2014 e registro cancelado;
PH-KCD: c/n 48558/573, batizado como Florence Nightingale, entregue à KLM em 16 de setembro de 1994, retirado de serviço em outubro de 2014. Desmontado em Victorville, Califórnia, em janeiro de 2015. Foi o último MD-11 da KLM a ser desmontado, registro provavelmente cancelado;

Desmonte do PH-KCD em Victorville, no final de janeiro de 2015. Foi o último...
PH-KCE: c/n 48559/575, batizado como Audrey Hepburn, registrado nos Estados Unidos como N91566 para a  McDonnell-Douglas, entregue à KLM em 18 de novembro de 1994, retirado de serviço em outubro de 2014. Desmontado em Victorville, Califórnia e registro cancelado;
PH-KCF: c/n 48560/578, batizado como Annie Romein, entregue à KLM em 17 de dezembro de 1994, retirado de serviço em outubro de 2012. Desmontado em Victorville, Califórnia e registro cancelado;
PH-KCG: c/n 48561/585, batizado como Maria Callas, entregue à KLM em 12 de maio de 1995, retirado de serviço em novembro de 2012. Desmontado em Victorville, Califórnia e registro cancelado;
PH-KCH: c/n 48562/591, batizado como Anna Pavlova, entregue à KLM em 31 de agosto de 1995, retirado de serviço em julho de 2012. Desmontado em Victorville, Califórnia, em janeiro de 2013, e registro cancelado;
Após 20 anos de bons serviços prestados, e nenhum acidente, o fim chegou
PH-KCI: c/n 48563/593, batizado como Mother Theresa, entregue à KLM em 10 de novembro de 1995, mas arrendado à VASP em 15 de dezembro, e registrado como PP-SPM. Retornou à frota da KLM em 21 de agosto de 1998, com a mesma matrícula anterior. Foi retirado de serviço em outubro de 2012. Desmontado em Victorville, Califórnia e registro cancelado;
MD-11 na linha da morte em Victorville, no deserto de Mojave, na Califórnia
PH-KCK: c/n 48564/612, batizado como Ingrid Bergman, entregue à KLM em 25 de abril de 1997, retirado de serviço em outubro de 2013. Desmontado em Victorville, Califórnia e registro cancelado;

sábado, 23 de janeiro de 2016

Aeronaves brasileiras que já morreram - III

Nos últimos anos, verificou-se no Brasil a retirada de serviço e desmonte de várias aeronaves comerciais, especialmente as operadas pela Vasp, que tinha uma frota própria considerável e já bastante antiquada, na época da sua falência. A morte da frota da Vasp, no entanto, merece um capítulo à parte, que está sendo preparado. Esse artigo, assim como os dois anteriores, trata principalmente de aeronaves que até bem recentemente estavam em operação, e que são desmontadas para aproveitamento de peças ou por não ter manutenção ou operação viáveis economicamente. O PT-SLC, fabricado em 1988, foi adquirido da Rio-Sul em 2003, e operou até 2008. Acabou sendo desmontado, e hoje está em um ferro-velho em Campinas/SP, junto a outros três aviões da ex-Oceanair, os Brasílias PR-OAO e PT-SRF, além do Fokker Mk-28-100 PR-OAS, que foi desmontado em janeiro de 2014.
Restos do E120 Brasília PT-SLC, da Oceanair, hoje Avianca Brasil
O Embraer 120 Brasília foi considerado, durante a década de 1980, um dos melhores aviões regionais do mercado, a despeito da sua complexidade de operação e da sua relativamente pequena capacidade de passageiros. No começo da década de 1990, o mercado para esse tipo de aeronave decaiu muito, e a Embraer teve muita dificuldade em vender seus três últimos exemplares. A então novata Oceanair, hoje Avianca Brasil, operou quatro aeronaves do tipo, compradas no mercado de aeronaves usadas, e pintados cada um em um esquema de cores diferentes.
Os restos do Brasília PT-SRF, desativado no final de 2007 pela Oceanair, no seu descanso final em Campinas/SP (foto de Iuri Silva)
Ainda em Sorocaba, o ex-PT-SRF, antes operado pela Nordeste, agoniza

Cemitério de aeronaves em Campinas, com os restos dos aviões PP-VNZ, PT-SRF, PT-SLC e PR-OAS
Um ferro velho de Campinas adquiriu os restos da frota de Brasílias da Oceanair, além de um Fokker Mk-28-100, o PR-OAS, o primeiro Fokker 100 não acidentado desmontado no Brasil. O PR-OAS começou sua carreira em julho de 1992 na American Airlines. Foi adquirido pela Oceanair em fevereiro de 2008, e voou pela empresa, depois redenominada Avianca Brasil, até setembro de 2013. Foi canibalizado e desmontado pela Avianca em janeiro de 2014 e vendido para a Sucatas BIM, de Campinas.
O antigo PR-OAP da Oceanair agora serve de outdoor para um ferro-velho, em São Carlos/SP
O PR-OAP, antes operado nos Estados Unidos pela Atlantic Southeast Airlines, como N240AS, que o recebeu em 1987, voou apenas três anos na Oceanair, de 2003 a 2006. Estava sendo restaurado para ser vendido em 2007, mas o negócio não deu certo e o avião continuou parado em Sorocaba/SP, onde acabou sendo canibalizado posteriormente. Atualmente, serve de outdoor para um ferro velho, o Ferro Velho São Paulo, em São Carlos, na pertencente ao grupo Bim de Campinas, onde repousam todos os outros três Brasílias da frota da Oceanair. O Ferro Velho São Paulo fica na Rodovia Washington Luiz, Km 233,5. sentido capital-interior, e a aeronave pode ser vista da rodovia.
Fuselagem do Brasilia PT-SLC, que operou pela Rio-Sul e Oceanair
Infelizmente, nenhum dos Embraer 120 Brasília operados pela Oceanair jamais voltou a voar depois de desativados. Todos os quatro foram desmontados e seus restos, se ainda existirem, estão em um ferro velho em Campinas/SP, um deles em São Carlos/SP.
Hoje, a sucata do Boeing 737-300 da Varig, PP-VNZ, serve como fachada para o ferro velho

Para quem quer ver essas sucatas, o Ferro Velho Bim de Campinas fica na SP-73, na estrada velha para Indaiatuba, no Km, 8. Essas são as coordenadas geográficas para quem quer visualizar no Google: 22º59'52"S - 047º05'07"W. Não demorem, pois logo virarão panela de pressão.

domingo, 10 de janeiro de 2016

Aeronaves brasileiras que já morreram - II


Dando continuidade ao artigo anterior, e que teve mais de 8 mil leitores em menos de uma semana, eis aqui exemplos de aeronaves que voavam na aviação comercial brasileira atual, ou que, pelo menos, operaram até há pouco tempo, como a Varig, que encerrou atividades em 2006.

Os Airbus A319 representaram uma verdadeira revolução na TAM, quando começaram a operar na Ponte Aérea Rio São Paulo, em julho  de 1999. Nessa época, a empresa tinha como carro-chefe, nas linhas domésticas, o útil e econômico Fokker 100. Essa aeronave tornou a TAM, então uma empresa regional, na companhia aérea líder do mercado brasileiro.

A TAM se viu na necessidade de substituir o Fokker 100, já que o fabricante holandês faliu em 1996, e aeronaves novas estavam, portanto, fora de questão. Outro problema foi o acidente ocorrido, em outubro de 1996, com um Fokker 100 da TAM em São Paulo, que ofuscou o brilho que essa aeronave tinha no mercado. Como a TAM já tinha adquirido aeronaves Airbus A330 recentemente, para suprir linhas internacionais, foi quase natural que a Airbus fornecesse aeronaves de fuselagem estreita para a TAM, a bem sucedida linha dos Airbus A319, A320 e A321.
O ex-PT-MZA, com matrícula americana N976SG, mas ainda ostentando o esquema de cores da TAM, aguarda o desmonte no deserto, em Goodyear Airport, Phoenix, Arizona.
Os A319 fizeram sucesso na Ponte Aérea, fazendo forte concorrência com os vários operadores que operavam, ainda, os Boeing 737-300, Vasp, Varig e Transbrasil. Dois anos depois, a Transbrasil desapareceu, mas veio a Gol, operando Boeing 737-700. Todavia, a fama e a modernidade dos Airbus conquistaram muitos passageiros.
O PT-MZB, ainda ostentando matrícula brasileira, faz companhia ao ex-PT-MZA em Goodyear, no "corredor da morte"
A operação na Ponte Aérea, no entanto, é desgastante para os aviões, que acabam acumulando mais ciclos que horas de voo, o que limita muito a durabilidade da estrutura da aeronave. Os primeiros A319, portanto, já foram retirados de serviço, após cerca de 13 anos de operação, e foram desmanchados, ou estão estocados aguardando seu destino final.
O PT-MZE sendo desmontado na Europa, após a sua devolução
O PT-MZA veio ao Brasil em 8 de julho de 1999, novo, e foi desativado em dezembro de 2012. Foi desmontado em 2014. Outros três do primeiro lote, PT-MZB, PT-MZD e PT-MZF, também foram desativados, e os dois primeiros já foram desmontados. Outros dois A319, PR-MBI e PR-MAH, fabricados em 2002, também aguardam o desmonte. Desses, somente o PR-MBI veio usado, da TACA, os demais vieram novos do fabricante.
O antigo PR-GOL, primeiro 737 a entrar em operação  na empresa, já foi devolvido e hoje, matriculado N277CS, aguarda sua morte no deserto
Os primeiros Boeing 737-700 da Gol, que também operaram na Ponte Aérea, também sofreram bastante com o desgaste prematuro. Entre os primeiros 737-700 que operaram na empresa estavam os PR-GOE, PR-GOB e PR-GOC. Ao contrário da mensagem que a empresa passava, de que todos os aviões vieram novos, esses três vieram já usados, voaram para operadores europeus, e foram fabricados em 1998. Retirados de serviço, estão sendo desmontados no deserto, em Victorville, Califórnia. Os antigos PR-GOA e PR-GOL, também retirados de serviço, também aguardam o seu destino final em algum lugar do deserto de Mojave.
Em primeiro plano, com matrícula americana N484BC, o ex-PR-GOE, seguido pelo N485BC, ex-PR-GOB, e pelo N462BC, ex-PR-GOC, sendo desmontados em Victorville
Muitos aviões remanescentes da frota da antiga Varig, e de sua subsidiária VarigLog, nunca mais operaram para outra empresa, depois da falência da empresa. Os mais antigos viraram sucata e foram vendidos para reciclagem de materiais, e outros foram canibalizados, para fornecer componentes a outras aeronaves do tipo.
O PP-VNX, usado como fonte de peças de reposição para a frota da Webjet, desmontado em São José dos Campos pela Digex.
O antigo PP-VNZ foi um Boeing 737-300, adquirido novo em 1990, operou incansavelmente nas linhas domésticas da Varig, inclusive na Ponte Aérea. Nunca mais voou para outro operador, e sua célula foi desmontada na Digex, em São José dos Campos/SP, para fornecer componentes para a frota de 737 da Webjet, que passou a ser o maior operador de 737-300 depois do fim das "Três Grandes", Varig, Vasp e Transbrasil.
Os restos do PP-VNZ, em São José dos Campos
O PP-VNZ ficou na memória de muitos habitantes de Curitiba/PR, após fazer uma passagem muito baixa sobre o Aeroporto do Bacacheri, em 23 de abril de 2006. A empresa já estava nos seus momentos finais e o PP-VNZ já não mais operava regularmente, e jamais voltaria a operar.
O PP-VNZ, no voo sobre o Bacacheri, Curitiba, em abril de 2006, o "canto do cisne" da empresa que foi, um dia, a maior cia. aérea do Brasil.
O PP-VNX seguiu o mesmo caminho. Veio para a Varig em novembro de 1987, e também foi desmontado em São José dos Campos.
O nariz do PP-VNZ, preservado por algum tempo depois que a fuselagem foi cortada

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Aeronaves comerciais brasileiras que já morreram - I


Aeronaves em geral, especialmente as que são utilizadas comercialmente, possuem uma vida útil limitada, e mais cedo ou mais tarde, acabam morrendo, canibalizadas, desmontadas ou simplesmente abandonadas em algum pátio esquecido, no meio do mato, ou no deserto.

Aqui estão alguns exemplos bem recentes, de aeronaves comerciais brasileiras que já se foram. Algumas tiveram um fim prematuro, outras voaram intensamente por anos a fio.
Boeing 737-300 que voou na Gol, como PR-GLA

A Gol Linhas Aéreas padronizou seu equipamento com modelos Boeing 737-700 e 737-800, mas, para suprir suas linhas, enquanto aguardava a entrega de aeronaves novas, utilizou alguns Boeing 737-300 já bastante usados, que operaram principalmente na United. O PR-GLA, no entanto, operou anteriormente na Lufthansa, e foi fabricado em 1986, sendo o mais antigo avião a operar na Gol. Voou dois anos na empresa antes de ser devolvido, Voou depois na Sky Expres da Rússia por pouco mais de dois anos e foi desmontado em julho de 2009.

Boeing 737-700 da Gol sendo desmontado
O PR-GOF, um Boeing 737-700, foi uma das aeronaves da frota inicial da Gol, em 2001. Veio novo para a empresa, mas teve um fim prematuro, foi desmontado apenas 12 anos depois, em julho de 2013, em Victorville, Califórnia.

Boeing 777-200 da  antiga Varig, onde voou como PP-VRD
O PP-VRD foi, talvez, o primeiro Boeing 777 a ser desmontado. Essa aeronave foi entregue ao seu operador original, a British Airways, em 12 de janeiro de 1996, como G-ZZZE, e voou apenas seis anos na empresa. Voltou à Boeing em 2002, e voou na Khalifa Airways da Argélia por pouco mais de um ano, antes de ser arrendada pela Varig, em março de 2004, onde voou como PP-VRD, por pouco mais de dois anos. Foi estocada e depois, finalmente desmontada em Walnut Ridge, Arkansas. Sua fuselagem foi preservada, devido aos poucos ciclos e seu pequeno desgaste, pois, afinal, essa aeronave operou pouco mais de 10 anos no serviço regular. A vida útil extremamente curta de um avião tão grande e caro pode ser explicada pela baixa autonomia desse modelo específico do avião (não-ER), que era destinado a fazer voos domésticos de alta densidade, e que não fez sucesso no mercado.
Airbus A320 que voaram pela TAM como PT-MZQ e PT-MZR, na "linha da morte" em Mojave, Califórnia
Esses dois Airbus A320 estão entre os mais antigos Airbus operados pela TAM. Ambos foram entregues ao seu primeiro operador, a South African Airways, em agosto de 1992, onde voaram por nove anos, antes de passarem para a TAM em 2001. O PT-MZQ operou principalmente nas linhas domésticas, por mais de 11 anos, e o PT-MZR, que tinha 12 poltronas de classe executiva, foi mais usado nas linhas internacionais do Mercosul. A TAM devolveu os dois entre junho e julho de 2012, e os aviões foram desmontados em Mojave, Califórnia. Essas aeronaves, entre outras, que vieram da South African, eram conhecidas entre o pessoal da manutenção da TAM pelo nome pejorativo de "Ebola", pois eram bastante problemáticas, especialmente quanto ao equipamento eletrônico, e não eram populares entre os passageiros, pois não tinham os sistemas de entretenimento dos aviões mais modernos.
O PT-MZP também veio da SAA
O PT-MZS, que também voou na South African
Entre outros aviões da TAM quer vieram da South African estavam também os PT-MZP e o PT-MZS, que também já foram desmontados.
Um dos dois únicos Airbus A340-500 operados pela TAM, o PT-MSN
Enquanto a TAM aguardava a entrega dos novos Boeing 777-300, a empresa voou algumas aeronaves de forma temporária, como os McDonnell-Douglas MD-11 e Airbus A340-500. Os Airbus A340-500 vieram da Air Canada. O PT-MSN foi entregue originalmente à Air Canada em 27 de julho de 2004, e voou por cerca de três anos na empresa antes de ser repassado à TAM, em primeiro de dezembro de 2007. Voou até outubro de 2011 e foi estacionado em Luqa, na Ilha de Malta, de onde voltaria a voar apenas para ser trazido de volta ao Brasil, sendo desmontado totalmente em agosto de 2015, no Rio de Janeiro. De fato, o Airbus A340-500, em que pese sua enorme autonomia, foi rapidamente suplantado pelo Boeing 777-200LR, de maior alcance e bem mais econômico, e acabou se tornando um "mico" no mercado. Isso pode explicar a vida útil extremamente curta do PT-MSN, apenas 7 anos de operação. O destino do PT-MSL, que também foi operado pela TAM, e que voou operacionalmente durante apenas sete anos, é incerto, e o avião está parado, esperando o seu destino final. Atualmente encontra-se estacionado em Schwerin - Parchim, na Alemanha, sem qualquer esperança de encontrar um novo operador.
O Airbus A340 D-AAAL, que voou na TAM como PT-MSL, fabricado em 2004, e que não voa comercialmente desde 2011