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terça-feira, 22 de junho de 2010

A Guerra do Futebol: os últimos combates dos caças a pistão

A Copa do Mundo de Futebol é um grande e pacífico evento esportivo que acontece uma vez a cada quatro anos, e que desperta  um forte sentimento de patriotismo em nações de todos os continentes. Entretanto, nem tudo na história do futebol das Copas foi tão pacífico assim. Em 1969, alguns jogos das eliminatórias para a Copa de 1970, no México, acabaram desencadeando uma guerra real entre dois países, Honduras e El Salvador.
O relacionamento político entre os dois países da América Central já estavam sob forte tensão, devido ao movimento de imigrantes salvadorenhos para Honduras, e os jogos das eliminatórias acabaram por se tornar o estopim de um conflito armado, que passaria à história com o nome de Guerra do Futebol.
O primeiro desses jogos aconteceu em Tegucigalpa, capital de Honduras, no dia 8 de junho de 1969, com vitória de Honduras por 1 x 0. O jogo foi tenso, e os ânimos se acirraram no segundo jogo, em El Salvador, no dia 14 de junho de 1969, vencido por El Salvador por 3 x 0. Esse jogo desencadeou uma onda de violência jamais visto na história das Copas do Mundo, e jogadores, torcedores e imigrantes foram perseguidos e assassinados em ambos os países. Um terceiro jogo, em 27 de junho de 1969, na Cidade do México, terminou com a vitória de 3 x 2 de El Salvador, e a onda de violência continou se alastrando, culminando com o rompimento das relações diplomáticas entre os dois países.
Finalmente,em 14 de julho de 1969, o Exército Salvadorenho lança um ataque contra Honduras. El Salvador avançou sobre o território hondurenho, tomando várias cidades e vilarejos. Praticamente, toda a ação se desenvolveu sobre o território de Honduras. A guerra iria durar apenas quatro dias, e um cessar-fogo foi negociado pela Organização dos Estados Americanos - OEA. O conflito terminou na noite do dia 18 de julho, sem vencedores reais, mas com alguma vantagem para os salvadorenhos.

Nenhum dos dois países dispunha de grandes recursos bélicos. A Força Aérea de El Salvador precisou adaptar aviões de passageiros, principalmente Douglas C-47, como bombardeiros. Os ataques aéreos foram lançados contra o Aeroporto de Tocontin, em Honduras, e outros alvos.

Honduras, embora em clara desvantagem perante o maior e mais bem equipado inimigo, lançou um ataque aéreo contra as instalações da Força Aérea em Ilopango. O ataque foi rechaçado por El Salvador, mas uma única bomba lançada acabou causando algum dano. Honduras chegou a usar bombas de napalm contra El Salvador

El Salvador utilizou aeronaves de caça North American P-51 Mustang, remanescentes da Segunda Guerra Mundial e da Guerra da Coréia, contra as aeronaves Vought F-4U Corsair de Honduras. A operação dos militares salvadorenhos foram orientadas e apoiadas por pilotos americanos veteranos de P-51, como Chuck Lyford, Bob Love, Lynn Garrison e Ben Hall.

Os combates entre os caças P-51 de El Salvador e Corsair F-4U de Honduras foram os últimos combates entre caças a pistão da história, ironicamente entre dois tipos de aeronaves americanas, veteranos da Segunda Guerra Mundial e da Guerra da Coréia. O conflito aéreo envolveu cerca de 1000 militares salvadorenhos e 600 militares hondurenhos. A Guerra do Futebol terminou com mais de 2000 vítimas, a maioria civis, e um tratado de paz definitivo somente foi assinado quase 11 anos depois.

El Salvador acabou se classificando para a Copa de 1970, no México, mas não passou da primeira fase, perdendo todos os jogos e saindo sem fazer um único gol. Perdeu por 3 x 0 para a Bélgica, 4 x 0 para o México e 2 x 0 para a União Soviética. Foi um triste epílogo para o mais trágico evento das Copas do Mundo. A Copa de 1970 foi vencida pelo Brasil.

4 comentários:

  1. ja havia ouvifo falar....mas obrigado pelo post bem explicado!

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  2. O P51 Mustang e o F4UD Corsair foram os principais caças dos EE.UU. na Guerra do Pacífico. Gostaria de saber, neste embate entre El Salvador e Honduras, qual deles foi melhor.

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  3. José Paulo, os P-51 levaram a melhor, mas isso pode ser creditado mais aos pilotos do que aos equipamentos, que eram praticamente equivalentes.

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