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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Viação Aérea Arco-Íris: a primeira companhia aérea em Londrina

Em 1945, com o final da Segunda Guerra Mundial e do Governo Getúlio Vargas, também chegava ao fim um período de grandes provações, racionamento e autoritarismo político. Em todo o mundo, os anos que se seguiram à Segunda Guerra foram de esperança, reconstrução, otimismo e progresso.
A aviação comercial já deixara a sua infância, e entrava em um período de prosperidade e profissionalismo. No Brasil, país de dimensões continentais, era uma interessante e prática opção para se alcançar o interior, então em ascenção econômica, mas servido por uma fraquíssima infraestrutura de transportes.

A região Norte do Paraná, nessa época, ainda era esparsamente povoada, mas o trabalho de colonização empreendido pela empresa inglesa Companhia de Terras Norte do Paraná - CTNP, loteou as áreas urbanas e rurais, com a finalidade específica de cultivar café, então o maior produto de exportação brasileiro.

Com a Guerra, os ingleses venderam todos os seus interesses na região, para se concentrar na defesa do seu país, mas o progresso continuou a passos largos, e a região começou a gerar uma riqueza considerável com o cultivo do café. A região tornou-se um "Eldorado" para milhares de agricultores, comerciantes, aventureiros e até mesmo malfeitores, gerando a necessidade de um meio de transporte que ligasse a região aos grandes centros urbanos, particularmente São Paulo.

O epicentro da colonização do Norte do Paraná foiLondrina. Fundada entre 1929 e 1930, ganhou status de Município em 10 de dezembro de 1934, e seu crescimento foi tamanho que, no final de 1938, ganhou um aeroporto, aberto em uma área cedida pelos irmãos Edson e Mábio Palhano, próximo ao atual Patrimônio Espírito Santo, local hoje denominado Aviação Velha, já que o aeroporto foi substituído em 1953 pelo atual aeroporto de Londrina.

O Aeroporto serviu inicialmente a pequenos aviões particulares e táxis-aéreos, além de basear o aeroclube local, mas com o início da Guerra, em agosto de 1942, o racionamento de gasolina e as demais dificuldades, ficou praticamente em estado de abandono, pelo menos até o final de 1945.

A riqueza gerada na região chamou a atenção de uma pequena empresa aérea, a Viação Aérea Arco-Íris S/A - VAA, baseada no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Essa empresa começou a operar em 12 de julho de 1946, e servia inicialmente uma linha que ligava São Paulo às cidades paulistas de Ourinhos, Assis e Presidente Prudente.
Ao contrário de inúmeras empresas aéreas surgidas nessa época, que estavam comprando aeronaves Douglas C-47 e DC-3 usadas na Guerra e colocadas  à venda pelos americanos como "War Surplus" (sobras de guerra"), a VAA adquiriu seis aeronaves britânicas De Havilland DH-89A Dragon Rapide.

Os seis aviões foram matriculados como PP-AIA, PP-AIB, PP-AIC, PP-AID, PP-AIE e PP-AIF. Os Dragon Rapide eram biplanos bimotores, capazes de transportar  de 6 a 8 passageiros em linhas curtas, além de um ou dois tripulantes.

Embora os Dragon Rapide fossem aeronaves bem sucedidas nos anos 30 e durante a Guerra, já eram tecnicamente obsoletos em 1946. Construídos em grande parte de madeira, e equipados com motores Gipsy Six de 200 HP, ofereciam pouco conforto aos passageiros, que se sentavam em cadeiras de vime, bem ao estilo colonial inglês. Não havia divisão entre o cockpit e a cabine de passageiros. O avião tinha um desempenho surpreendente,  pois podia voar em velocidades de até 210 Km/h, tornando as viagens muito rápidas, se comparado com o trem, que podia levar até 24 horas para ir de Londrina a São Paulo, com baldeação em Ourinhos, ou com os ônibus, ainda mais demorados, devido às péssimas condições das rodovias.
A VAA foi, ainda em 1946, a primeira empresa aérea a operar no Aeroporto de Londrina, constituindo na verdade uma extensão dos voos para o oeste paulista. Era uma opção interessante para os passageiros que precisavam ir a São Paulo ou às outras cidades servidas pela empresa, mas a pequena capacidade dos aviões estava aquém da demanda pelo serviço.

A operação dos Dragon era muito tosca, não havia serviço de bordo e o atendimento em terra era extremamente precário. Segundo o site "Pioneiros do Ar" (http://www.pioneirosdoar.com.br/), um dos comandantes da empresa costumava  levar uma espingarda e seu cachorro perdigueiro a bordo, que auxiliava o dono em caçadas de codornas em pleno aeroporto de Ourinhos, uma das escalas do avião.

A empresa, na verdade, tinha pequena capacidade de investimento, e bem cedo os problemas começaram a se revelar. Logo após o início das operações, o Dragon Rapide PP-AID perdeu-se em uma trágico acidente em Congonhas. Ainda segundo o site "Pioneiros do Ar", um dos passageiros desse avião sobreviveu ao desastre, pois caiu da aeronave quando se encontrava na porta da mesma, antecipando o pouso. A porta abriu-se em uma rajada de vento que pegou o avião, e o passageiro caiu em um dos eucaliptos que então margeavam a Avenida Indianópolis, saindo praticamente ileso. A única reclamação que fez à VAA foi a perda do seu chapéu. O acidente foi atribuído à forte rajada de vento pouco antes do pouso em Congonhas. A aeronave capotou e incendiou-se imediatamente, vitimando fatalmente seus ocupantes.

O ano de 1946 ainda não havia acabado quando, na véspera de Natal, 24 de de dezembro de 1946, um segundo Dragon Rapide, o PP-AIB, acidentou-se, com perda total, em Fartura/SP. Embora a VAA tenha adquirido um sétimo DH-89A, matriculado PP-AIG, perdeu um terceiro avião em Araranguá/SC, o PP-AIE, em 31 de outubro de 1948.

Por volta dessa época, a VAA estava tentando operar para a região sul do país, mas a situação ficava cada vez mais difícil, pois dezenas de empresas, operando DC-3 bem mais espaçosos e confortáveis, já estavam atuando no mercado.

Por fim, os proprietários da VAA venderam a empresa para um grupo de empresários de Caxias do Sul/RS, que passou a ser a sede da empresa. As operações a partir de São Paulo foram encerradas, mas a empresa não conseguiu deslanchar no Sul, premida pela feroz concorrência oferecida pela Varig, já então uma poderosa empresa, e que dominava o mercado de transporte aéreo no Rio Grande do Sul. Os proprietários tentaram capitalizar a empresa por meio de uma subscrição pública de ações, mas houve pouco interesse dos investidores.

Praticamente sem condições de continuar operando, a VAA teve suas linhas cassadas em junho de 1950. Os quatro aviões remanescentes foram vendidos, encerrando-se assim a curta vida da empresa.
O Aeroporto de Londrina não ficou sem transporte aéreo regular, com o encerramento dos voos da VAA. Em 1948, a REAL inaugurou uma linha regular para Londrina, utilizando aeronaves Douglas DC-3. O voo inaugural foi comandado pelo Comandante Linneu Gomes, então presidente da empresa. A REAL permaneceu como a principal operadora de voos regulares em Londrina até a sua incorporação pela Varig, em agosto de 1961.

5 comentários:

  1. Nossa bem interessante este artigo!!!! Acredito que poucos sabem disso!!!!!!

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  2. Ola.

    Achei hoje duas passagens aereas de meu avõ e minha avo, as duas são de 1946, e viajaram pela Arco Ires.Se qizer posso mandar fotos dos bilhetes, estão bastantes manchados pela umidade, mas fora isto, estão em bom estado.Meu whatsapp e' 9996444629.

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  3. Eu quero as fotos sim, por favor, pode mandar no meu email, jonas.liasch@gmail.com

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  4. Muito interessante. Não conhecia esse modelo de aeronave De Havilland Dragon Rapide. São aviões diferentes da maioria da época. Valeu.

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  5. Boa Tarde Amigos, quero falar sobre os DRAGON RAPIDE, especialmente o PP-AIA. A cidade é São Luis, capital do Estado do Maranhão, o ano é 1956. Personagens, Comandante Mario Ângelo da Silva Nery e Oswaldo Paranhos, cidadãos paulistas, que trabalharam na campanha de Ademar de Barros a Presidência da República justamente, justamente pilotando o PAPAI, como eles chamavam o PP-AIA. Estavam na cidade para implantar o serviço de Taxi Aéreo, o que realmente fizeram e o meu pai foi o seu Agente/Representante que ganhava comissão sobre o valor das passagens. Tenho mais histórias, que talvez renda outros capítulos.

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