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sexta-feira, 17 de junho de 2011

Roberto Carlos em Ritmo de Aventura: o helicóptero que passou dentro de um túnel no Rio de Janeiro

Em 1967, o cantor Roberto Carlos e o movimento musical da Jovem Guarda faziam grande sucesso. O cineasta Roberto Farias, inspirado no sucesso dos filmes dos Beatles, produziu um filme estrelado pelo cantor, intitulado "Roberto Carlos em ritmo de aventura", em cuja trama ele era perseguido por uma quadrilha internacional, enquanto fazia um filme. O principal vilão era interpretado por José Lewgoy.
A história, um tanto ingênua, serviu como fundo para clipes de músicas de grande sucesso do cantor, à época, como "Quando", "Como é grande o meu amor por você", "Eu sou terrível" e outras. Na verdade, essa trilha sonora foi uma das melhores de todos os tempos, entre todas as trilhas produzidas para filmes, no Brasil.

Produzido há 44 anos, o filme é repleto de cenas extremamente nostálgicas de cidades como o Rio de Janeiro, São Paulo, Nova York e outras.
Cena de aventura do filme no Corcovado
Todavia, a mais famosa e memorável sequência, de aproximadamente seis minutos, produzida para o filme foi um sobrevoo da cidade do Rio de Janeiro, a bordo de um helicóptero, a baixa altura.

Executar tal sequência não foi uma tarefa fácil. O helicóptero foi contratado junto à VOTEC - Vôos Técnicos e Executivos S/A. Era um Hughes 300, matriculado PT-HAZ, pilotado pelo experiente e hábil comandante Antônio Carlos Nascimento.
A entrada do Túnel do Pasmado, em Botafogo, em cena do filme
Era necessário obter autorização tanto da Aeronáutica quanto da Prefeitura do Rio de Janeiro, pois o helicóptero passaria por dentro do Túnel do Pasmado, que liga o bairro do Botafogo aos de Copacabana e Urca, pelas Avenidas das Nações Unidas e Lauro Sodré, exigindo então um bloqueio temporário do trânsito no local. A preparação para tal sequência levou um mês inteiro.

A prefeitura concedeu autorização, válida para uma única manhã de domingo. O DAC - Departamento de Aviação Civil pediu ao piloto que fizesse uma exposição de como iria fazer o voo dentro do túnel, pois havia a preocupação que vento produzido pelo rotor subisse pelas paredes do túnel e derrubasse a aeronave. O comandante respondeu todas as perguntas e, diante de sua confiança, o DAC autorizou o voo.

De posse das duas autorizações, o comandante Nascimento e a equipe de filmagem foram para o túnel, em uma manhã de domingo, mas o voo não pode ser feito. Havia um engarrafamento de trânsito no local, devido a um trabalho de repintura das ruas, que deveria ter sido feita no dia anterior, mas que acabou atrasando. Um funcionário da Prefeitura foi ao local e pediu, "pelo amor de Deus", para não fazerem a filmagem naquele dia, para não piorar as coisas.

Não restou outra opção, senão adiar a filmagem. A produção teve que conseguir todas as autorizações de novo, pois eram válidas apenas para aquele dia. Ainda por cima, agora teriam que enfrentar, além da burocracia, o medo dos funcionários, que temiam que alguma coisa não desse certo, e que atrapalhasse o serviço deles.

Depois de duas semanas, a equipe novamente se deslocou para o túnel, na entrada do lado do Botafogo. O piloto executou primeiro um voo de teste, o qual foi muito bem sucedido, apesar das dificuldades apresentadas: o túnel era baixo (6,3 metros de altura máxima), estreito (20 metros) e, embora não fosse muito longo (220 metros), tinha o Viaduto Pedro Álvares Cabral logo antes da entrada. Um único policial bloqueou o trânsito, pois as autoridades queriam o "menor escândalo possível".
Sobrevoando o Rio, em meio aos prédios
O voo seguinte foi feito com o próprio diretor Roberto Farias, com a câmera, ao lado do piloto. O helicóptero passou acima do viaduto, desceu entre esse e a boca do túnel, passou o mesmo em voo rasante, sobrevoou o Morro da Babilônia, ainda sem a favela, e passou a sobrevoar Copacabana, depois o centro do Rio, a Baía da Guanabara, até finalmente pousar no heliponto do prédio do Banco do Estado da Guanabara (BEG), que depois viraria Banerj e hoje é o Banco Itaú.

As cenas gravadas a bordo são de tirar o fôlego: o helicóptero, conduzido com audácia e precisão, voou em meio aos prédios da cidade. Logo no início, nota-se a ausência do Shopping Rio-Sul e do Edifício Rio-Sul Center, construídos muito depois, no final dos anos 70. Em outra cena, aparece o Palácio Monroe, que foi sede do Senado Federal, quando o Rio era a Capital Federal, e que foi demolido, sem necessidade, para as obras do Metrô, em março de 1976.

O Palácio Monroe
Pode-se ver, ainda, em Copacabana, a Avenida Atlântica, antes de ser duplicada, e sem o famoso calçadão.

O helicóptero sobrevoou, ainda, o saudoso transatlântico Eugênio C., que por mais de 20 anos ligou a Europa à América do Sul, e era assíduo frequentador do Porto do Rio de Janeiro. Pode-se ver, ainda, a Baía da Guanabara sem a Ponte Rio-Niterói.
O transatlântico italiano "Eugênio C"
Durante o voo, são executadas duas músicas, "Namoradinha de um amigo meu" e "Canzone per te". Roberto Carlos ganharia o Festival de San Remo no ano seguinte, com essa última música, de autoria de Sérgio Endrigo.

Depois do pouso, o helicóptero decolou e voltou para o túnel do Pasmado, repetindo a façanha da travessia, com Roberto Farias, agora sem a câmera, servindo de dublê para Roberto Carlos, para as tomadas externas.
Roberto no terraço do Edifício Copan, em São Paulo, cantando "Quando", em outra sequência do filme
Ao todo, o filme "Roberto Carlos em ritmo de aventura" é uma obra interessante, e hoje, muito nostálgica. Todos os clipes foram muito bem feitos, embora as "aventuras" fossem, em grande parte, inverossímeis. Entre as cenas de ação, além da sequência do helicóptero, merecem destaque uma perseguição de carros em plena descida do Corcovado e um voo da Esquadrilha da Fumaça, ainda com os velhos North American T-6. Em suma, o filme é imperdível.
Nos dias de hoje, seria praticamente impossível realizar a façanha do Comandante Nascimento no Túnel do Pasmado. Tal façanha talvez nem seria mais necessária, com a tecnologia de hoje, onde a computação gráfica e os efeitos especiais dominam o cinema.
De qualquer forma, o sobrevoo do Rio de Janeiro de 1967, a bordo do pequeno Hughes, com ou sem Roberto Carlos, será sempre uma das mais marcantes cenas do cinema brasileiro.

9 comentários:

  1. Prof. Jonas,
    mais uma excelente história..... agora,
    o que me dizes desta passagem, então?
    http://www.youtube.com/watch?v=5-A8eiIzqlU&feature=youtu.be

    Abraço,
    Heinz

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  2. Excelente post, nuita coragem do Cmte em realizar este vôo tão complicado. Nota-se que na saída do túnel o skid quase toca o chão. Xou de bola.

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  3. Ótimo site, gostei mesmo. Aproveito e deixo uma pequenina correção. o nome do viaduto que antecede o túnel do pasmado é Viaduto Carlota Joaquina e não Viaduto Pedro Álvares Cabral como esta na materia. Abraço.

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  4. Mais o roberto não pilotou em nem 1 momento?

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    Respostas
    1. Só no momento 1. Já nos outros, 2, 3, 4, 5, (n)..., não

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  5. Caro Studio2000, acho que isso só o Roberto pode responder, mas nas cenas de risco ele nem sequer estava a bordo, foi substituído por um dublê. Mas deve ter tido a oportunidade de voar pelo menos um pouco.

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  6. Apesar de não gostar de R. Carlos , assisti inúmeras vezes os vídeos acima.
    Excelentes documentos históricos , não tenho conhecimento de vídeos que contenham voos rasantes das regiões registradas em tal filme.
    A primeira vez que fui ao R.J. foi em 1965 , os vídeos me fazem lembrar daquela viagem.


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  7. Sensacional, cena inesquecível, inclusive as anteriores. Filme muito bem realizado, produção de calibre internacional e muitos clipes memoráveis, como o que ele canta "Quando" no terraço do Copan.

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