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quarta-feira, 16 de março de 2011

1963: um Hercules C-130 pousa e decola em um porta-aviões

Em outubro e novembro de 1963, a Marinha dos Estados Unidos conduziu uma interessante e espetacular experiência a bordo do porta-aviões USS Forrestal: executar pousos completos e decolagens de um quadrimotor turboélice Lockheed C-130 Hercules no convés de voo do navio.

A experiência tinha por objetivo avaliar a capacidade, tanto do navio quanto da aeronave, de operar com segurança a bordo, para executar missões de suprimento ou de transporte de pessoal. À época, a Marinha dependia das aeronaves Grumman C-1 Trader (foto abaixo) para a função de  COD (Carrier Onboard Delivery), mas essa aeronave, uma versão do Grumman Tracker,  carregava apenas pequenas cargas e tinha alcance de 300 Milhas Náuticas, insuficiente para atender o navio em alto mar. Por isso, a Marinha resolveu testar o maior avião então existente, capaz de operar em um convés de porta-aviões, que seria o Super-COD. Além de ter grande capacidade de carga, o Lockheed C-130 tinha um alcance de 2.000 Milhas Náuticas e bom desempenho em pistas curtas.
Tratava-se de uma façanha sem precedentes, sem dúvida. O C-130 é uma aeronave grande, e mesmo o gigantesco Forrestal parecia pequeno demais para receber o avião a bordo.
A aeronave escolhida para a operação foi o KC-130F 149798, um avião-tanque emprestado pelo U.S. Marine Corps. A aeronave foi recebida pela Marinha no dia 8 de outubro de 1963 e foi minimamente modificada pela Lockheed antes dos testes: os pods de reabastecimento subalares foram removidos, um sistema de anti-skid (antitravamento) foi instalado nos freios e um pequeno orifício foi acrescentado no nariz, para dar uma referência mais precisa do convés para os pilotos.
A única modificação recebida pelo navio foi uma faixa tracejada pintada no convés, que deveria ser mantida rigorosamente no centro pelos tripulantes do avião, já que a ponta da asa direita passava a apenas 4,6 metros da superestrutura da "ilha" do Forrestal.
O avião era desprovido de qualquer equipamento "naval", como engates para as catapultas e ganchos de frenagem para os cabos. Os pousos deveriam ser feitos sem enganchar e as decolagens seriam feitas sem qualquer assistência, dependendo inteiramente dos quatro poderosos turboélices Allison T56 do Hércules.
O avião tinha quatro tripulantes: o Tenente James H. Flatley III  era o piloto, assistido pelo Tenente Comandante W. "Smokey" Stovall como copiloto. O engenheiro de voo era Ed Brennan. Os três eram acompanhados pelo piloto de testes da Lockheed Ted Limmer. Um quinto tripulante, Al Sieve, teria participado de algumas missões como responsável pelo carregamento do avião e teria substituído Brennan como engenheiro de voo em alguns voos. A participação de Al Sieve nos testes no Forrestal somente ficou conhecida quando ele foi condecorado pela missão, em julho de 2004.
O primeiro pouso do C-130 no Forrestal foi executado no dia 30 de outubro de 1963. O vento de proa era de 40 Knots, mas o mar estava agitado, devido ao vento,  causando grande tensão para os tripulantes do navio. A proa do Forrestal subia e descia, oscilando  numa amplitude de cerca de 10 metros O navio aproou o vento e aumentou a velocidade, para que a corrida do avião após o pouso fosse a menor possível após o toque.

O avião tocou o convés a 46 metros de distância da borda de popa, e parou em 81 metros após o toque, sem qualquer auxílio de cabos ou outros dispositivos. A façanha encantou o piloto de testes da Lockheed, Limmer, que elogiou o desempenho de Flatley no comando do avião.
A decolagem foi feita pouco tempo depois, sem catapultas, do mesmo ponto de onde o avião parou no pouso. Após correr no convés, o C-130 decolou tranquilamente, muito antes de alcançar a borda de proa. Foi, realmente, um desempenho fantástico para um avião tão grande. O pouso foi feito com o peso total de 86 toneladas.

Até o dia 22 de novembro, os testes continuaram, com um total de 29 toques-e-arremetidas, 21 pousos completos e 21 decolagens sem assistência, sendo muito bem sucedidos.

Apesar do excelente desempenho do C-130 a bordo do Forrestal, a operação foi julgada arriscada para operações rotineiras, com pilotos comuns da Marinha. A operação do C-130 a bordo também era complicada, pois o avião era grande demais para caber nos elevadores. Caso tivesse problemas, o C-130 interditaria todo o convés até que o problema fosse resolvido. Consequentemente, a Marinha abandonou o projeto, e os C-130 jamais pousariam novamente em um porta-aviões.
Ao colocar em serviço os Grumman C-2 Greyhound (foto abaixo), em 1967, a Marinha equipou os porta-aviões com aeronaves COD de longo alcance, ainda que essa aeronave não tivesse, obviamente, a capacidade dos Hercules C-130.
O Tenente Flatley foi condecorado pelo seu desempenho na missão com a Distinguished Flyind Cross pela Marinha, e passou para a reserva em 1987, no posto de Contra-Almirante. Os demais membros da tripulação foram condecorados com a Air Medal.
O KC-130F utilizado na missão voou por muito tempo no U.S. Marine Corps depois disso. Depois de ser retirado de serviço, foi doado ao Museu Nacional da Aviação Naval, na Estação Aeronaval de Pensacola, na Flórida, em maio de 2003, 40 depois das suas façanhas a bordo do Forrestal, onde está preservado.
Quanto ao Forrestal, o navio foi descomissionado em 11 de setembro de 1993 e canibalizado para manter os navios da sua classe em serviço. Embora um movimento de veteranos da Marinha fizessem um movimento para transformá-lo em um navio-museu, o Forrestal deve afundado e transformado em recife artificial. Ancorado no Pìer 4 de Filadélfia, junto com o porta-aviões USS John F. Kennedy, o Forrestal aguarda silenciosamente o seu destino final.

5 comentários:

  1. nossa,essa foi muito boa!será que existem videos registrando essa façanha do belo e imponente Hércules?? :O

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  2. Olá, Nightrider, sim, existe. Acrescei um vídeo ao artigo para ilustrar. Obrigado pela visita e pelo comentário.

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  3. nossa cada vez que vejo essa aeronave me arrepio sem duvida uma das melhores aeronaves de transporte militar do mundo o imponente hercules parabens cb alberto exercito brasileiro

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  4. Jonas, amigão, você que manja bem do assunto, poderia escrever um artigo comparando um hércules a um b-17, caso o hércules existisse na 2ª guerra?

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