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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

O Diário da Morte de Milton Terra Verdi

Em um já distante agosto de 1960, o piloto Milton Terra Verdi pousava em emergência  numa clareira na selva bolliviana. Sem socorro, sem água e sem comida, Terra Verdi passou 70 dias escrevendo um diário, que terminaria pouco tempo antes da sua morte. O diário virou um livro, o "Diário da Morte". 
 
Poucos livros são tão dramáticos. É comparável ao antológico "Diário de Anne Frank". O texto abaixo foi extraído, na íntegra, do interessante blog "Coisas para se pensar", de autoria de Chang Tsai. No mês em que se completam 50 anos do pouso forçado do Cessna 140 de Milton Terra Verdi na inóspita selva boliviana, e que terminaria com a sua morte por inanição, é preciso repensar certos valores e crenças. 

A aeronave de Terra Verdi foi recuperada pela Fundação EducTam, com autorização da família, da clareira na qual pousou na Bolívia, em 1960, e exposta no Museu da TAM, em um dramático diorama, que reproduz exatamente as condições nas quais foi encontrada quase cinco décadas depois.
Eis o texto de Chang Tsai:

Num mundo em que vivemos onde muitos ostentam sem necessidade e são ingratos, eu recomendo a leitura do livro O Diário da Morte de Milton Terra Verdi. Ele e o cunhado, Antônio Augusto Gonçalves, tiveram que fazer um pouso forçado do Cessna 140 em que viajavam no meio da selva boliviana, entre Corumbá e Santa Cruz de La Sierra por falta de combustível.
O registro começa no dia do pouso forçado, em 29 de agosto de 1960. De acordo com o relato de Milton, seu cunhado morreu de inanição mais de uma semana depois. Verdi esperava por um socorro que nunca chegou a tempo. Foram 70 dias de angústia, tendo que conviver com a decomposição do corpo de Antônio. Só podia contar com a água da chuva que vinha de vez em quando. Foram feitas tentativas de se embrenhar na mata fechada, porém em vão. Com fome e sede constantes e mesmo assim ainda conseguia escrever usando mapas e documentos para se manter lúcido. À medida que o tempo ia passando e o socorro não chegava, a solidão e o desespero tomavam conta.

No 65º dia, ele escreve sobre como o sofrimento muda a nossa forma de pensar, pedindo a Deus por nova oportunidade de ser bom pai, bom filho e bom marido. Do outro lado, o pai de Milton tentava vencer a burocracia e conseguir ajuda por parte dos órgãos responsáveis pela aviação brasileira. Os bolivianos foram muito mais solícitos no pedido de ajuda. Se a aviação brasileira é um caos nos tempos atuais, imagine como era há 50 anos atrás! Infelizmente, o socorro chegou apenas no dia 24 de dezembro daquele ano, mais de um mês depois de Milton falecer, também de inanição.

A seguir, trecho do diário escrito no 9º dia e trecho de uma carta escrita à sua esposa:

"Como se acabam as ilusões de um homem. Hoje para mim, um litro d'água que é a coisa mais barata que nós temos, vale mais que todo o dinheiro do mundo e um prato de arroz com feijão não tem dinheiro que pague. Se Deus nos der nova chance, temos planos de ser os homens mais humildes do mundo, querendo apenas ter nossa comida, água em abundância e o carinho das esposas, filhos e familiares".

"Minha querida esposa e dedicada mãe de meus filhos, primeiramente, peço que me perdoe pelos maus momentos que te fiz passar, vejo agora que tudo não passa de ilusão, o que vale mais no mundo é a água, a comida de todo dia e o carinho da nossa querida esposa e filhos. Saiba que você foi o único amor da minha vida, não duvides porque é um moribundo quem está falando. Nunca deixes ninguém passar sede, pois é a pior coisa do mundo".

Eu também prefiro um estilo de vida simples, sem muito luxo, cuidando da saúde física e mental para durar muitos anos. Pergunte a um desempregado o que é importante para ele. Pergunte a um doente crônico o que é importante para ele. Pergunte a um solitário o que é importante para ele. As pessoas que se apegam muito a coisas e são ingratas com tudo em sua volta, estas não quero perto de mim por muito tempo. Já vi e convivi com muitos deste tipo na escola e na universidade. Com a certeza de que não acrescentam em nada na minha vida.

Autor: Chang Tsai, blog "Coisas para se pensar"
(http://outsidethebox2006.blogspot.com/)

37 comentários:

  1. Excelente artigo, não conhecia essa passagem. Vou pesquisar mais a fundo. Obrigado, professor por dividir conosco.

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  2. Só um adendo: o cunhado do Milton, morreu envenenado, após, em um momento de desespero, beber gasolina do avião.

    Tenho o livro e lá conta sobre esta apssagem com detalhes.

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  3. Positivo, Diego, isso realmente aconteceu. Deu uma crise de desespero no homem, que tomou gasolina e logo em seguida faleceu. Obrigado pela colaboração.

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  4. Esse livro é um dos mais procurados, teve apenas uma única edição, e as editoras insistem em não reeditar. É dificílimo achar um para comprar mesmo usado. Em todo comentário que é feito sobre ele na internet sempre aparece alguém dizendo que tem o livro. Algum desses felizes proprietários poderia escanear o livro e colocar no eMule, Torrent ou 4shared. Obrigado.

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    1. No blog Livro Digital tem o arquivo (escaneado) deste livro. Acesse Pasta D

      http://livrodigitalebook.blogspot.com.br/

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  5. Onde é possível encomendar este livro?

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    1. No blog Livro Digital tem o arquivo (escaneado) deste livro. Acesse Pasta D

      http://livrodigitalebook.blogspot.com.br/

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    2. Nao achei esse livro la...
      Tambem nao encontrei essa pasta D

      Como encontrar?
      Por favor, entre em contato: tatiane.morais@b2winc.com

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  6. Já tem disponível para download no 4shared

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    1. No blog Livro Digital tem o arquivo (escaneado) deste livro. Acesse Pasta D

      http://livrodigitalebook.blogspot.com.br/

      O arquivo do 4shared não está muito bom, aqui tem um melhor para impressão.

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  7. http://www.4shared.com/document/8K6TxjZt/diario_da_morte.html

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  8. Olá, li este livro no ano de 1983 e desde então fiquei impressionado com a história de Milton Terra Verdi. Para minha surpresa, em visita ao Museu da TAM (São Carlos-SP), comecei a contar a história para minha namorada e quando vimos estávamos diante da aeronave envolvida no acidente e no painel, estava escrito o que eu acabara de relatar. Agora estou a procura do Livro Diário da Morte, a fim de presentear minha namorada. Gostaria de saber se alguém tem, ou sabe onde posso encontrá-lo. Desde já agradeço e deixo o e-mail para contato: highway_cop@hotmail.com.

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    1. No blog Livro Digital tem o arquivo (escaneado) deste livro. Acesse Pasta D

      http://livrodigitalebook.blogspot.com.br/

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  9. Ótimo artigo. Li o livro em 1999 e gostaria de ler novamente. Qto ao cunhado de Terra Verdi, realmente morreu intoxicado após ingerir uma grande quantidade de gasolina. Terra Verdi colocou seu corpo em cima de uma das asas do avião e relata q se preocupou em não deixar urubus devorarem seu cadaver.
    Se alguém puder me vender ou indicar onde posso adquirir o livro, serei mto grato.
    Agradeço desde já.
    Parabéns pelo artigo.

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    1. No blog Livro Digital tem o arquivo (escaneado) deste livro. Acesse Pasta D

      http://livrodigitalebook.blogspot.com.br/

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  10. Ai pessoal, felizente encontrei ele zipado no 4shared.
    Vai o link para download:
    http://search.4shared.com/q/1/di%C3%A1rio%20da%20morte
    Abraço à todos e boa leitura!!

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  11. Muito bom o artigo. Estive no Museu da TAM, hoje e também fiquei impressionado com o exemplar do Cessna 140 envolto em mato e com os relatos do diário do Sr. Milton Verdi, nos painéis do museu. Muito me chamou a atenção a foto do Sr. Milton com a lâmina d´água a escorrer sobre o vidro. Parabéns a TAM pela homenagem e ao museu.
    Reginaldo / Valinhos-SP

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  12. Esta infeliz história deveria ser contada e mostrada para todos os iniciantes do curso de PP. é mais que necessário enfatizar a necessidade de sermos mais precavidos, planejarmos melhor nossos voos, estarmos preparados o melhor possível para as adversidades após um pouso forçado. Erros incríveis foram cometidos antes do voo, durante o voo e apos o pouso. Quando ainda adolecente lí e reli o livro alguns anos após o lançamento. Chorei muito. Meu pai conheceu alguns membros da família, de São José do Rio Preto/SP.

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  13. Ainda não tive oportunidade de ler este livro que enfatiza o que realmente importa na vida, mas infelizmente só quando se sabe destas tragédias que nós refletimos e nos lembramos do que realmente é importante para a humanidade.

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  14. Este comentário foi removido pelo autor.

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  15. Li o livro em meados dos anos 70.

    E se a memória não falha, o cunhado do piloto morreu no 3º. dia, após beber uma mistura de gasolina, áqua velva e urina...

    O martírio do Milton é o mais impressionante depoimento humano que já tive notícia.

    E olhe que não foram poucos os livros que li...

    Aliás os relatos dramáticos e pungentes me fizeram repensar a Vida.

    Realamente é incompreensível não haver Editôra interessada em republicar o livro que não contém muitas páginas..., mas é destroçante e impactante em dramaticiddade humana.

    Poucas vezes houve um relato tão desesperador do próprio agente dos fatos.

    Uma Lição de Vida, sem dúvida!!!

    Hélio.

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  16. ola eu tinha um livro,mais ele sumiu como faço para conseguir outro..meu imail é mariadefatima_fia@hotmail.com se alguem souber de algum livro disponivel entre em contato pelo meu imail...obrigada...

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  17. Sou de Macapá-AP e em visita ao Museu da TAM em São Carlos conheci a história de Terra Verdi. Realmente incrível sua resistência! Infelizmente não foi salvo.
    Abraço a todos.
    Ten Herlan

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  18. olha comecei a ler o livro hoje, peguei emprestado de uma pessoa, é impressionante, não tem como vc ler sem arrepiar a cada relato do Milton, é impressionante mesmo, to emocionado! tive que parar a leitura pois mesmo sem sede bebi um meio litro de agua....

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  19. Eu já havia lido esse livro em 1970,agora sabendo que a aeronave se encontra em São Carlos vou programar um fim de semana para fazer uma visita ao museu da tam,com certeza será uma emoção muito forte ficar diante do avião onde o Milton e seu cunhado Antonio passaram todos os sofrimentos relatado pelo mesmo
    um grande abraço e parabens pela materia
    Osvaldo/ São Paulo

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  20. Infelizmente a desgraça não parou no Milton e se cunhado Antonio
    .
    Miltis, sua irmã, e viuva de Antonio, perdeu recentemente outra irmã e um filho num desastre aéreo em Fernandópolis-SP, proximo a cidade de Miltom Terra Verdi, São José do Rio Preto-SP
    .
    vide:
    .
    http://www.diarioweb.com.br/novoportal/Noticias/Cidades/23168,,Martirio+de+riopretenses+comecava+ha+50+anos.aspx
    .
    e
    .
    http://www.diarioweb.com.br/noticias/imp.asp?id=126250

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  21. acabei de ler, faz a gente reesnsar algumas coisas!!!!

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  22. O caso é citado no livro Amazonia, paraiso e inferno, o qual ensina como sobreviver na selva e no mar em caso de acidente. Sem querer julgar o ocorrido, o livro chama atenção para a necessidade de treinamento para pilotos ou qualquer outra pessoa que transite por regiões como a do acidente. Leitura últil e interessante.

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  23. Eu li este livro 3 ou 4 vezes e sempre visito o tumulo em São Jose do Rio Preto de Milton verde e passo pelas avenida em Fernandópolis, ja conversei com muitas pessoas parentesco Verdi realmente e uma fato que marcou junto com o acidente dos estudantes, eu sou Edvando e moro em Votuporanga




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  24. Li a historia desta tragédia quando tinha nove ou dez anos, em uma antiga revista "O Cruzeiro", na casa uma tia de minha madrasta. Na época a historia me impressionou muito pelos detalhes da narrativa e também por um adendo ao artigo, onde o autor colocou uma ou duas páginas com material a respeito de sobrevivência na selva, resumo de uma publicação especializada do exército. Neste artigo várias formas de se obter água eram referenciadas, visto que os protagonistas desta tragédia morreram de sede.Principalmente um evaporador solar feito com um pedaço de plástico e algumas pedras. Durante várias épocas de minha vida acabei me recordando desta reportagem. A primeira foi quando me tornei escoteiro e ao estudar sobrevivência na selva, pude ver que embora resumido, aquele artigo trazia muita informação. No final dos anos setenta, ou inicio dos oitenta, ao ver uma reportagem do Hélio Costa sobre o atol da Rocas, onde ele narrava a morte do faroleiro e toda a sua família, porque o filho mais novo abriu a torneira do reservatório de água, também me trouxe a mente o artigo e o evaporador solar. A partir de 1980 quando comecei a fazer voo livre, e posteriormente voar avião e planador, sempre que tenho que atravessar uma grande extensão de mata me lembro da historia do Cessna 140 e do artigo da revista. A queda do avião da tia do Milton em 1969 e uma visita a este blog em 2012 foram as ultimas vezes que me lembrei do artigo da revista "O Cruzeiro". Logo após ver as fotos do blog, tentei localizar a revista pelo Google, e achei vários números digitalizados, mas como não sabia em qual número constava a reportagem, nunca consegui localizar a revista.
    Finalmente no último sábado, 14 de junho, ao participar do "2o. Encontro de Velhas Águias" acabei finalmente visitando o Museu da TAM e para minha surpresa, no mural em homenagem ao Milton Verdi, esta a foto da capa da revista O Cruzeiro onde esta narrado o acidente. No mural a data da revista não esta muito legível, mas deu para ver que é 21 de janeiro de 1961. Pesquisando os exemplares digitalizados e em um acervo do governo do estado de São Paulo pude deduzir que o número da edição é o 16, e o ano é 33. Porém esta edição (n.16 ano 33) não consegui localizar nem em papel e nem digitalizada. Será que algum leitor deste Blog alguma indicação de como localizar esta revista?

    Um grande abraço a todos.

    Meu nome é Benedito Renê Fischer e faço parte do Aeroclube de Rio Claro.

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  25. eu era criança,mas me lembro quando deu no radio da vizinha sobre o encontro dos corpos de Milton e seu cunhado Antônio Augusto Gonçalves!

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  26. eu era criança,mas me lembro quando deu no radio da vizinha sobre o encontro dos corpos de Milton e seu cunhado Antônio Augusto Gonçalves!

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  27. Meu depoimento sobre esta história, também é interessante e achei oportuno registrar . - Quando ainda morava no sul do Brasil e tinha lá meus 17 anos ,namorava um rapaz Rômulo Antônio ( hoje falecido ),em certo momento , passei a observar que o mesmo andava muito triste..busquei saber o motivo...e este me relatou a história, e acabou me presenteando com o livro " Diário da Morte ", realmente deu para entender todo o acontecido e não deixar de sofrer por tudo que o tripulantes do avião passaram, chorei o tempo todo que lia a história. - Então entendi a tristeza do namorado Romulo. - o Tempo passou e em 1973 vim morar em Cáceres MT 80 Km. com a Bolivia, onde moro até hoje. - E, para surpresa quem venho encontrar aqui.!!! O Sr. Verdi, o pai do Piloto, foi muito emocionante ele nos contar as barreiras , as dificuldades ,lembro de um detalhe todos falavam eles já estão mortos..e o Pai afirmava..não eu acredito que estão vivos....os escritos na revista Cruzeiro confirmaram o sentimento do Pai, ele morreu um dia antes de ser encontrado, isso depois de 70 dias., lembro de alguns detalhes...tomar gasolina..colocar o corpo do cunhado sobre a asa do avião para que os animais o o comessem , o não poder sair de dentro do avião para não ser devorado pelos animais..u ultimo escrito onde ficou claro que foi no momento em que morreu não tinha o ponto final, realmente o livro é chocante e emocionante.

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  28. Não tenho palavras para comentar o acontecido pois o ser humano tem que dar valor a vida e não se prender as coisas matérias como a luxuria etc.

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  29. Pelo que sei do ocorrido, no 2o. semestre do ano de 1960, houve um importante terremoto no Chile.
    O Brasil colaborou nessa tragédia enviando militares da aeronáutica.
    A F.A.B. naquela época era muito mais pobre do que hoje é, e nem tinha um Serviço Aéreo de Resgate oficialmente operacional.
    Talvez seja uma explicação para a dificuldade de mobilizar a Força Aérea naquela ocasião, nas buscas do avião desaparecido.

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    1. Lendo o livro, percebe-se claramente que a FAB estava de extrema má vontade em iniciar as buscas, visto o jogo de empurra entre o SAR de São Paulo e Rio. Não era falta de aeronaves, muito menos de material humano. Além da burocracia, que até hoje faz com que tudo seja moroso nesse país.

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    2. Lendo o livro, percebe-se claramente que a FAB estava de extrema má vontade em iniciar as buscas, visto o jogo de empurra entre o SAR de São Paulo e Rio. Não era falta de aeronaves, muito menos de material humano. Além da burocracia, que até hoje faz com que tudo seja moroso nesse país.

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