Google Website Translator

domingo, 8 de agosto de 2010

O grande incêndio do Aeroclube de São Paulo

O Aeroclube de São Paulo foi fundado em 08 de junho de 1931 e sempre foi um dos maiores do Brasil. Ao contrário da grande maioria dos aeroclubes, o Aeroclube de São Paulo há décadas tem uma frota praticamente desprovida dos populares aviões de treinamento CAP-4 e P-56 Paulistinhas.
A razão para esse fato é uma tragédia: em 1967, a quase totalidade dos aviões do Aeroclube foi destruída em um incêndio, que quase encerrou a história dessa grande instituição.

Em meados dos anos 60, o Aeroclube de São Paulo tinha uma grande frota de aeronaves, a maioria deles composta de modelos CAP-4 e P-56 Paulistinha, como praticamente todos os aeroclubes. Os Paulistinhas são aeronaves enteladas e com estrutura da asa feita em madeira. Danificam-se facilmente se estacionados por muito tempo ao ar livre. Como o espaço nos hangares era pouco para uma frota tão grande, o Aeroclube utilizava uma prática de erguer a cauda dos aviões e apoiar a hélice em um suporte de madeira bem baixo. Os Paulistitnhas ficavam quase na vertical, e isso aumentava o espaço no hangar para as aeronaves (ver fotos abaixo, do Aeroclube de Bragança Paulista, de autoria de Irineu Moura).

Embora possibilitasse a hangaragem de praticamente todos os aviões, essa prática também tinha seus riscos. Os Paulistinhas tinham um tanque superior, no teto do cockpit. Esse tanque deveria estar vazio quando se erguia a cauda da aeronave, pois o combustível do mesmo vazava quando o avião estava nessa posição. Evidentemente, em alguns casos algum combustível sobrava no tal tanque, e os vazamentos invariavelmente deixavam o hangar com uma explosiva mistura de ar com vapor de gasolina. Só faltava alguém ou alguma coisa causar a ignição.

Na tarde do dia 14 de outubro de 1967, um aluno, que tinha feito um voo de instrução pela manhã, voltou ao hangar para buscar um molho de chaves que tinha perdido e que deveria estar, provavelmente, dentro do avião em que voara. O hangar estava fechado e quente, e o característico cheiro de gasolina de aviação impregnava o ambiente.

Ao procurar suas chaves, na escuridão do hangar, o aluno resolveu acender um isqueiro para iluminar o interior do avião. Tão logo fez isso, ocorreu uma explosão dos vapores de combustível. O fogo tomou conta do avião rapidamente, e o aluno, bastante queimado, saiu correndo para fora, sem tempo hábil para pegar um extintor. Outras pessoas que estavam no local sairam correndo também, e logo o fogo se alastrou para todo o hangar.

Cerca de 30 aeronaves Paulistinha estavam no interior do hangar, e infelizmente nada sobrou delas. O fogo demorou horas para ser contido pelos bombeiros, e de um momento para o outro o Aeroclube de São Paulo perdeu a quase totalidade da sua frota. Felizmente, nenhuma vida humana foi perdida.

O Aeroclube só não parou por completo porque alguns poucos aviões não estavam no hangar e sobreviveram à tragédia. Mas a sobrevivência da instituição estava seriamente ameçada, e a diretoria resolveu tomar medidas para recompor a frota. Infelizmente, o Departamento de Aviação Civil não tinha aeronaves disponíveis para ceder ao Aeroclube, já que a Neiva já havia encerrado a produção do P-56 há anos.

A solução encontrada foi pedir a colaboração dos sócios. Um programa de venda de títulos de sócio remido foi iniciado, e alguns sócios abastados, grandes industriais e comerciantes, colaboraram com grandes somas em dinheiro.

O Aeroclube fez uma grande encomenda de aeronaves junto à americana Piper, de 12 aeronaves Cherokee 140 de instrução básica, e 6 Arrows, para instrução avançada.

Em 1973, seis anos depois do grande incêndio, vários sócios e pilotos do Aeroclube foram aos Estados Unidos buscar os aviões. Todos os 18 aviões foram transladados em voo para o Brasil, fazendo escalas em 14 cidades atraves das Américas.

O voo dessas aeronaves constituiu-se em uma grande aventura, tanques externos foram adaptados para aumentar a autonomia dos aviões, e os aviões Arrow, mais bem equipados em instrumentação, serviram de guia aos Cherokees na longa viagem de mais de 7.000 Km. A operação foi muito bem sucedida, e os Cherokees e Arrows do Aeroclube de São Paulo logo entraram em operação na instrução, tornando-se assíduos frequentadores dos céus paulistanos.

A entrada em operação dos Pipers no Aeroclube de São Paulo marcou um momento de renascimento da instituição, que esteve perto da extinção depois do incêndio. Embora a frota tenha sido numericamente reduzida, a qualidade da instrução melhorou muito com as então novas e avançadas aeronaves, e até hoje várias daqueles aeviões permanecem em uso, quase 40 anos depois. Alguns Cherokees desativados foram vendidos,  mas um foi colocado como monumento em um pedestal no Aeroclube e outro foi pendurado no interior do Bar Brahma, lembrando o renascimento do Aeroclube de São Paulo como uma das melhores escolas de aviação do Hemisfério Sul.

Um comentário:

  1. Meu nome : Alexandre Campos , adorei meu pai foi instrutor 1962 a 1967 participou da esquadrilha da poeira com Cmt Conte Cmt Vitali Cmt Nilton

    ResponderExcluir

Gostou do artigo??? Detestou? Dê a sua opinião sobre o mesmo.