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terça-feira, 23 de junho de 2009

O pior desastre aéreo em Londrina

O aeroporto de Londrina registra poucos acidentes envolvendo aeronaves comerciais. Os três mais graves envolveram aeronaves da VASP. O primeiro ocorreu em 13 de dezembro de 1950, quando um DC-3 da empresa, o PP-SPT, saiu da pista durante a decolagem, atingiu uma casa de comércio que ficava nas imediações e pegou fogo, matando três pessoas no solo. O segundo ocorreu durante um vôo de treinamento em 08 de março de 1964, com o SAAB Scandia matriculado PP-SQY, idêntico à aeronave da foto abaixo, que fez um pouso muito duro, resultando em danos estruturais graves que causaram a perda total da aeronave, mas sem vítimas.
O terceiro, e pior acidente, envolveu outro DC-3, o PP-SPP. Essa aeronave decolou do Aeroporto de Londrina às 18:33 de 14 de setembro de 1969, com destino ao Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Cumpria uma rota que vinha de Campo Grande, escalava em Londrina e ia para São Paulo. Na foto abaixo, o PP-SPP no Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte.
A aeronave tinha a bordo, no voo para São Paulo, 20 pessoas, sendo 6 tripulantes e 14 passageiros.

A decolagem ocorreu sem problemas, no final da tarde. Cerca de 50 minutos depois, o motor esquerdo começou a apresentar problemas, e os pilotos resolveram cortá-lo e embandeirar a hélice. Como já era noite, não seria possível pousar em Ourinhos, o aeroporto mais próximo, mas que não possuía balizamento noturno. Como Congonhas estava ainda distante, o comandante resolveu voltar para Londrina.

As rádios de Londrina ficaram sabendo do ocorrido, e noticiaram ao vivo o sobrevoo monomotor que o DC-3 fez sobre a cidade antes de pousar.

Quando o comandante finalmente decidiu pelo pouso, aproximou-se para a cabeceira 12, mas entrou alto e veloz, devido à redução de arrasto provocada pela hélice embandeirada.

Naquela época a pista do Aeroporto de Londrina possuía 1600 metros, e tinha um cafezal além de sua cabeceira 30.

O avião acabou tocando no solo no último terço da pista, e o comandante, vendo que a aeronave iria varar a pista, resolveu arremeter monomotor, um erro fatal, pois a velocidade já estava abaixo da VMC - Velocidade Mínima de Controle Monomotor, de 88 MPH.

Ao aplicar potência no motor direito, a aeronave saiu do solo, mas guinou fortemente para a esquerda, ainda que o leme estivesse todo aplicado para o lado contrário.

O avião entrou em atitude anormal, e acabou batendo com o solo quase de dorso, no antigo Horto Florestal de Londrina, local utilizado como viveiro de árvores pela Prefeitura Municipal, hoje jardim Monterrey, cerca de 1100 metros de distância da pista. O choque ocorreu às 20:33, exatamente duas horas após a decolagem.

A aeronave pegou fogo imediatamente, e nenhum dos 20 ocupantes sobreviveu. Um comissário de voo sobreviveu, mas acabou falecendo mais tarde no hospital. Se o piloto tivesse mantido a aeronave no solo no pouso e varado a pista, talvez os danos fossem bem menores, mas infelizmente se tornou a pior tragédia aérea ocorrida em Londrina.

8 comentários:

  1. Saudações a todos!

    Meu tio era um dos membros da torre de controle nesta época, radiotelegrafista, era funcionário da area de telecomunicações (TASA). Um dos tripulantes morto, radiotelegrafista Gilberto Augusto Monteiro,era seu aluno na radiotelegrafia. Eles trocavam informações durante toda a situação. Uma das informações passadas pelo Radiotelegrafista Gilberto, era de que havia pânico geral dos passageiros que , descontrolados movimentavam-se freneticamente no avião, provocando tumulto proximo ao piloto, isso tudo ocorrera na aproximação. Assim pois, minha teoria é de que a falta de controle dos passageiros, gerou um dos fatores para o acidente.
    Creio que também esse movimento dentro do avião, influenciou muito no peso e balanceamento do avião mais a desconcentração do Piloto.
    No mais, em virtude deste acidente, e por ter perdido um grande aluno e amigo, meu tio tornou-se alcoolatra, até hoje com 78 anos não se recuperou dos traumas.

    Abraço a todos e feliz ano novo!

    Guarulhos, 30 dezembro 2009.

    Alexandre Fontes Pereira

    Meu Tio Radiotelegrafista Henrique Fontes.

    Orkut; fxande65@gmail.com
    MSN; fxande65@hotmail.com

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    1. Fontes o meu pai era o rádio telegrafista
      Hoje moro em São Caetano sul
      Meu e-mail gibazapi@hotmail.com

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  2. Eu era menino e melembro bem do noticiario falando sobre o aviao pedindo para a populaçao rezar com a chegada do aviao em londrina grande parte da poluçao foi as ruas acompanhar a descida.Como minha tia morava proximo ao aeroporto vi direitinho as pessoas se movimentando dentro da aeronave.Porem logo apos a descida ouvimos uma aceleraçao de motor e um clarao atrás do telhado da casa .Era o aviao que explodia , para nossa tristeza.

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  3. Eu vi o acidente. Tinha 14 anos e morava na rua Gago Coutino, próxima ao aeroporto. Estava na Av. Santos Dumont quando passaram os bombeiros. Eu e o Renato Roza, amigo de infancia pedalamos rapidamente até o aeroporto, cerca de 300 metros. Renato era filho do Sargento da Aeronática Reynaldo Roza. Por isso conseguimos entrar no aeroporto e vimos quando o avião tentou pousar e arremeteu. Com a força em apenas um dos motores ele ficou um pouco lateral e as luzes das janelinhas se apagaram. Terrível. Quando ele virou para a esquerda para fazer uma segunda tentativa de pouso, o Sargento Roza comentou - "êle não vai conseguir". Corremos então até a praça em frente ao aeroporto e ficamos observando o vôo. Relamente uns 1.000 mnetros depois, em cima do horto houve uma explosão no motor direito com uma bola de fumaça preta saindo e alguns segundos depois, o som em forma de um estampido seco, chegou aos nossos ouvidos. O avião que já ia muito lento, literalmente parou no ar, inclinou a ase esquerda para baixo e caiu direto ao chão de uma altura não maior que uns 300 metros. Chegamos ao local da queda antes dos bombeiros. De bicicleta utilizamos umas "picadas" que havia entre o aeroporto e o local do acidente. Os bombeiros tiveral que sair da pista e dar a volta pelos armazens do IBC. Havia incêndio por uma grande área e cheiro forte de óleo carne queimados. Certamente a pior visão de minha vida até hoje, quando tenho 60 anos. Meus pais ainda moram no bairro aeroporto e o Renato é médico nos Estados Unidos.

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. bel meirelles23 de janeiro de 2015 00:33
    Também me lembro desse triste episódio! Eu morava na Vila Operária, estávamos assistindo TV, quando ouvimos o o barulho do ronco do motor, corremos para a rua e vimos o avião rodando no ar! Soubemos mais tarde, que o piloto falava com a torre se ainda estava sobre as casas! Muito triste! Eu tinha 12 anos, e fui com minha amiga Lourdes correndo até o horto, e também chegamos antes dos bombeiros. Inesquecível o cheiro característico de carne assada, fiquei muitos anos sem conseguir comer carne! Antes do isolamento da área, as crianças curiosas se deparavam com pés com sapatos,braços com relógios,dedos com anéis...São cenas que jamais se esquece! Hoje, passados mais de 45 anos, moro em São Paulo no bairro do Tatuapé, sou enfermeira especializada e atuante em Saúde Pública em uma Unidade Básica,mas sempre que ocorre um acidente aéreo, me reporto aqueles dias do passado! Meu filho localizou esse blog, e confesso que fiquei emocionada por saber de pessoas que compartilharam aquela tragédia!

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  6. Meu pai era o rádio telégrafo
    Saudades

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    1. Naquela época eu tinha 6 anos me lembro como se fosse hoje
      Tenho o telégrafo dele e o fone de ouvido e um relógio que usava quando caiu
      Triste

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