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quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Aída D'Acosta: uma paixão de Santos-Dumont?

O Pai da Aviação, Alberto Santos-Dumont, embora frequentasse a alta sociedade de Paris, teve poucos relacionamentos conhecidos e nunca se casou. Algumas mulheres passaram por sua vida, como a então adolescente e socialite brasileira Yolanda Penteado, com quem teve um breve affair. A mais marcante, entretanto, talvez tenha sido a americana de origem cubana Aída D'Acosta.
Aída D'Acosta nasceu em Elberon, New Jersey, e era filha de um armador cubano-americano, Ricardo D'Acosta, e de Micaela Hernandez Alba Y Alba, descendente de uma célebre família espanhola.

No verão de 1903, quando tinha apenas 19 anos, visitou Paris com sua mãe, e se interessou imediatamente pelos balões livres e dirígiveis então comuns na paisagem da capital parisiense. A aeronave mais presente em Paris por essa época era o Dirigível nº 9, de Santos-Dumont, que o utilizava como um transporte pessoal.

Não demorou muito para Aída se encontrar com Santos-Dumont, pois ambos frequentavam as altas rodas da sociedade parisiense. Santos-Dumont encantou-se com a jovem. Já estava com 30 anos de idade e nunca tinha tido uma namorada, de tão envolvido que estava com suas invenções.

Santos-Dumont começou a preparar Aída para voar. Deu-lhe apenas três breves lições e resolveu solar a moça no dirigível nº 9 (foto abaixo), então a mais prática máquina voadora até então inventada.
No dia 27 de julho de 1903, Santos-Dumont embarcou cuidadosamente Aída no nº 9, em Neuilly, e a orientou para voar, sozinha. A pilotagem da mesma, que não apresentava muita dificuldade, ficou nas suas mãos, e Santos-Dumont acompanhou a pé o voo inteiro, segurando o pendente (corda de atracação). O pouso, muito bem sucedido, ocorreu no Campo de Bagatelle, que se tornaria célebre três anos mais tarde por ser o palco do primeiro voo do 14-Bis.

A população parisiense acompanhou a façanha, que foi na verdade o primeiro voo efetuado por uma mulher em uma aeronave a motor. Quando pousou, Aída exclamou entusiasmada: It's very nice, Mr. Santos-Dumont! O pai da Aviação respondeu: "Mademoiselle, vous êtes la première aero-chauffeuse du monde" ("Senhorita, é a primeira mulher a pilotar uma aeronave motorizada").
Lamentavelmente, a habilidade de Santos-Dumont com as máquinas era muito maior do que com as mulheres. O relacionamento dos dois durou apenas aquele verão, e Aída voltou para a América pouco tempo depois. Provavelmente, nunca saberemos até que nível foi esse relacionamento. Quando Santos-Dumont morreu, em 1932, Aída declarou que mal tinha podido conhecê-lo. Santos-Dumont, entretanto, manteve carinhosamente um retrato de Aída em sua mesa de trabalho, por muito tempo. Como era muito reservado, nunca declarou nada a respeito de um possível relacionamento.

Aída D'Acosta casou-se e divorciou-se duas vezes. Em 1922, perdeu a visão de um olho devido ao glaucoma, e passou a lutar publicamente pelo avanço médico na oftalmologia. Seus esforços resultaram no Wilmer Eye Institute do Johns Hopkins Hospital, o primeiro instituto de olhos dos Estados Unidos. Em 1945, Aída fundou e foi Diretora Executiva do Eye Bank for Sight Restoration em New York, o primeiro banco de olhos dos Estados Unidos.

Faleceu em Bedford, New York em 26 de maio de 1962, aos 77 anos.

3 comentários:

  1. E emocionante a historia de Santos Dumont
    inclusive seu lado humanitario em dividir
    seus premios com os mais humildes.
    O mundo precisa de mais espiritos assim
    Lazareno de Oliveira

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  2. Este artigo e excelentissimo, melhor nao poderia ser
    Lazareno de Oliveira

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  3. O artigo é realmente muito bom! Apenas gostaria de fazer uma correção: Aída não foi nem de longe a primeira namorada do Pai da Aviação. Quando Santos-Dumont conheceu Aída ele já tinha terminado seu namoro com a socialite americana Edna Powers, a quem Alberto se referiu como simplesmente "a querida" em uma carta ao amigo Pedro Lima Guimarães. Segundo Cosme Drummond em seu livro "Alberto Santos-Dumont, novas revelações", a primeira namorada do inventor teria sido a filha de um fazendeiro vizinho de seu pai, quando ele tinha 18 anos de idade. (e eu com quase 19 continuo sozinho rsrsrs). Mas ainda sim seu artigo foi excelente! Parabéns!

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