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domingo, 9 de agosto de 2009

Victorio Truffi: o pioneiro do balonismo desportivo no Brasil

O uso de balões livres no Brasil iniciou-se em 1867, pelo Exército Brasileiro, durante a Guerra do Paraguai. Eram utilizados para observar as linhas inimigas. Entretanto, durante a década de 1910 o Exército passou a utilizar aviões e os balões foram abandonados por completo durante mais de 60 anos.Um americano, Ed Yost, modernizou o conceito dos balões livres de ar quente por volta de 1960, introduzindo algumas melhorias importantes como o uso de envelopes de tecido sintético e maçaricos a gás propano para fornecer o ar quente necessário para a sustentação. A partir daí, o balonismo esportivo passou a ter muitos adeptos nos Estados Unidos.
Um industrial brasileiro, descendente de italianos, Victorio Truffi, desde criança era aficcionado por balões de ar quente, e fez vários balões juninos não tripulados. Chegou a colocar um gato siamês como tripulante de um desses balões. O voo foi razoavelmente bem sucedido, com exceção de uma queimadura no gato causado pela tocha do balão. Claro que tal proeza foi "premiada" com uma bela surra dada por sua mãe.

Victorio, entretanto, não desanimou dos balões. Durante a Segunda Guerra Mundial, estabeleceu um negócio de venda de rádios, que foi muito bem sucedido, pois o rádio tornou-se nessa época uma artigo de primeira necessidade da população, que queria saber as informações da guerra. O negócio evoluiu, em 1945, para uma fábrica de antenas.

A fábrica de Truffi ficou muito bem conceituada no mercado, e produziu as primeiras antenas telelescópicas elétricas do país. Com a renda proporcionada pela fábrica, Truffi, então com 57 anos de idade, viajou aos Estados Unidos em 1970 e pode tirar uma licença de balões livres de ar quente naquele país. Ao retornar, trouxe um balão e seu instrutor, Robert Rechs para sua cidade natal, Araraquara/SP.

Depois de montar seu balão, e efetuar alguns voos cativos, Truffi solicitou ao Centro Técnico Aeroespacial - CTA uma autorização para fazer vôos livres. Depois de alguns contratempos burocráticos, finalmente o CTA autorizou os voos livres e Victorio pode matricular sua aeronave no Registro Aeronáutico Brasileiro, como PP-ZBT.

Victorio Truffi e Robert Rechs realizaram o primeiro voo livre do ZBT em Araraquara no dia 20 de outubro de 1970. Poucos dias depois, no dia 25, decolou em um domingo com um repórter a bordo durante um jogo entre o time do São Paulo Sport Clube e Ferroviário de Araraquara. O balão quase que eclipsou o jogo e o balão passou a ser a principal atração, apesar do pouso meio desastrado a pouco mais de 500 metros do estádio.

Truffi passou cada vez mais tempo a se dedicar ao balonismo. Chegou a ter a maior frota particular de balões do mundo, 16 exemplares. Mudou-se para São Paulo e montou um clube de balonismo em um sítio de sua propriedade na cidade vizinha de Cotia, em 1975. Lá passou a ministrar aulas para outros entusiastas.

O esporte passou a se desenvolver tanto que o Ministério da Aeronáutica, em 1975, baseado nos regulamentos para balões da FAA trazidos por Truffi, começou a desenvolver o primeiro Regulamento Brasileiro para a prática do esporte e permitindo a licenciamento dos pilotos pelo DAC - Departamento de Aviação Civil, a partir de 1978.

A partir daí, o esporte cresceu muito, graças também ao patrocínio, permitido pelo DAC, de empresas, quer viram nos enormes balões um ótimo meio de publicidade, em vista da atenção que atraíam.

Em 1983, um balão azul de Truffi virou estrela de um programa infantil da Rede Globo, a Turma do Balão Mágico, e o próprio Truffi conduziu a atriz Simony e outras crianças a bordo na gravação da cena de entrada do programa.

Infelizmente, Victorio Truffi parou de voar em 1991 depois que um incêndio destruiu 12 de seus balões, inclusive o pioneiro PP-ZBT, que seria destinado ao Museu Aeroespacial - MUSAL, no Rio de Janeiro. Passou os seus últimos anos amargurado, mas foi ele que deu o impulso inicial ao mais seguro dos esportes aéreos do Brasil.

2 comentários:

  1. No MUSAL, todo ano é realizado no dia 17 de outubro uma grande festa do qual faço parte administrando oficinas de pipas. Sugiro enviarem um e-mail ou ligarem para o Brigadeiro Bhering, sugerindo que em 2003 se faça uma festa de homenagem ao centenário do grande Truffi, um pioneiro, compremetendo-me a ajudar na estrutura do evento.

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  2. Que linda história! É uma pena que nos negócios a história não teve um final feliz...Enquanto ele voava em seus balões a fábrica Truffi faliu e deixou seus funcionários sem seus direitos. Minha mãe morreu esperando o processo sair.

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