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quarta-feira, 8 de julho de 2009

Cessna Skymaster: a história do puxa-empurra

A Cessna tradicionalmente sempre produziu aeronaves de configuração bastante convencional, sendo a maioria monomotores de asa alta, bimotores de asa baixa e motores nas asas e jatos executivos com motores na cauda.
Mas há uma exceção a essa regra: O Cessna 337 Skymaster. Essa aeronave possui dois motores instalados na fuselagem, um no nariz e outro na parte traseira da fuselagem, em tandem, o que elimina os problemas de assimetria de tração que tanto dificulta a pilotagem de aeronaves bimotores convencionais em caso de pane de um dos motores.

Devido ao fato de possuir hélices tratora e impulsora, ganhou o apelido de puxa-empurra.

A empenagem do avião foi instalada tendo como suporte dois "boons", que se originam nas asas. As derivas são duplas e bastante pequenas, já que não existe a necessidade de se compensar uma eventual assimetria de potência, e o torque de um motor compensa o torque do outro.

A configuração fora do comum tornou o Cessna 337 uma aeronave dócil e fácil de voar como os populares modelos 172 Skyhawk e 182 Skylane, bem de acordo com a filosofia da Cessna de produzir aeronaves que pudessem ser utilizadas quase como uma carro de passeio.

O primeiro modelo do Skymaster a ser produzido foi o 336 Skymaster, que tinha trem de pouso fixo e voou pela primeira vez em fevereiro de 1961. Entrou em produção em maio de 1963 e ficou em produção por cerca de um ano apenas, com 195 exemplares produzidos.

O 336 foi substituído pelo Cessna 337 Super Skymaster, maior, mais potente, com trens de pouso escamoteáveis e uma tomada de ar dorsal para o motor traseiro. Posteriormente, a Cessna denominou o modelo simplesmente como Skymaster, retirando o "Super". Essa aeronave entrou em produção em 1965, e permaneceu na linha de produção até 1982, com um total de 2.993 aeronaves produzidas, incluindo um modelo militar O-2 para a USAF.

Entre os modelos produzidos, estão modelos com motores turbocomprimidos, um O-2 com motores turbo-hélices e um modelo com motor turbo e pressurizado. Os modelos com motores turbo tinham teto de 33 mil pés e velocidade de cruzeiro de 233 Knots.

Em voo, o avião tem quase o comportamento de um monomotor, como o Cessna 210, mesmo com um motor a menos. Isso induziu alguns pilotos a tentarem decolagens com apenas um motor, que acabaram terminando eventualmente em acidentes. A FAA - Federal Aviation Administration obrigou a Cessna a colocar um placard no painel proibindo essa perigosa prática.

O avião não tem VMC - Velocidade Mínima de Controle Monomotor. Ainda sim, a maioria dos países, incluindo Brasil e EUA, exigem Certificado de Multimotores para voar a aeronave.

Uma organização de refugiados cubanos, denominada "Hermanos del Rescate", baseada em Miami e especializada em resgatar seus conterrâneos que fugiam de Cuba, caracterizou-se pelo uso intensivo desses aviões nas suas missões, devido à ótima visibilidade oferecida pelas asas altas e pela grande autonomia (7 horas) e alcance.

Vários tipos de motores foram utilizados pelos Skymaster, e os mais empregados foram os Continental IO-360 e TSIO-360 de 210 HP e 6 cilindros. Alguns foram modificados para usar 1 motor turbo-hélice Garret traseiro no lugar dos dois Continenal.

O Cessna 337 Skymaster pode levar o piloto e mais 5 passageiros. É uma aeronave rara no Brasil, possuindo atualmente apenas 2 aeronaves em condição de vôo no RAB - Registro Aeronáutico Brasileiro.

Foto: Tan Turner - Airliners.net

4 comentários:

  1. Um dos problemas que vejo nisso, apesar da idéia ser inovadora, é o risco que existe da hélice cortar um dos suportes do estabilizador horizontal. Embora seja improvavel numa situação normal, pode ocorrer em algum caso excepcional, como quebra de hélice. Ai, além de ficar sem helice, fica sem estrutura de fuselagem (ou célula). Planador é uma escola por isso, sem motor se voa, mas sem fuselagem e asas, não.

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  2. Tem um desse exposto em um ferro-velho aqui em Curitiba. Da dó de olhar o estado em que se encontra.

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